Me Morte...por Mariângela Padilha
Poemas e Histórias à Flôr da Pele
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
PrêmiosPrêmios
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Textos

Prova viva

Quando se fala em violência no relacionamento a gente logo imagina alguém agredindo fisicamente a outra pessoa. Fomos criados numa cultura machista e nesse tipo de cultura outro tipo de violência que não seja física é balela, conversa fiada, papo de mulherzinha etc. ...
Eu vivi esse tipo de situação, assim como milhares de mulheres de minha época, onde acreditamos que os problemas conjugais são nossa máxima culpa. Acreditava que estava doente e que minha insegurança com relação ao parceiro precisava ser tratada num consultório psiquiátrico. Fiz psicoterapia durante alguns anos financiada por um parceiro que em toda situação de conflito me chamava de louca dizendo: VÁ SE TRATAR! Muitas vezes ameaçava VOU TE INTERNAR! Tudo porque minha insegurança a situações que eu não entendia me levava a discussão e ENCHEÇÃO DE SACO, palavras que eu sempre ouvia. Isso acontecia quando eu desconfiava que ele tivesse saído, quando eu suspeitava que tivesse outra pessoa, quando eu questionava o porquê de não me levar com eles a certos eventos sociais ou em programas com amigos. Eu passei por isso algumas vezes antes de me casar e mesmo antes, já tinha me tornado insegura e “doente”. Por que entrei nessa? Porque fui criada para o casamento, não trabalhava e sempre sofri pressão psicológica de meus pais para que me cassasse antes dos 20 porque era o normal de uma mulher fazer, para que não se tornasse solteirona e não ficasse à custa dos pais para sempre. Sempre que eu cogitava uma profissão era vista como “a doida, a maluquinha etc.”. Ser professora era a única opção aceitável! Meu sonho em ser médica foi descartado por estar numa família pobre e sem recursos, hoje sinto que tinha motivos maiores porém a falta de dinheiro já encerrava o assunto e isso já resolvia o “problema”. Quando aos cinco anos de idade eu disse que seria escritora já era um pedido de socorro, um anuncio que de alguma forma, eu escreveria sobre tudo aquilo que via e que não concordava. Hoje ainda não consegui ser a escritora que planejei porque ainda tenho algumas travas que não consigo derrubar, mas estou perto.
Por isso tudo que não aceito mais machismos e que sinto orgulho em erguer a bandeira feminina. Não odeio homens! Tive alguns relacionamentos depois que me libertei e fui bem, não concordei com muitas coisas, mas dei adeus a qualquer tipo de violência neles e ainda hoje me sinto liberta nesse sentido.
Por que escrevi isso só hoje? Talvez porque não posso aceitar que em 2017 ainda exista violência psicológica nos relacionamentos, apesar de saber que existe, mas não aceito que mulheres atuais, competindo com os homens no mercado de trabalho, tendo uma vida independente, pagando suas contas, vivendo tudo que não vivi e ainda assim querendo provas para parar de sofrer. Eu morri 15 anos querendo provas e saí bem machucada! E fui bem violentada psicologicamente! Dei a volta por cima magnificamente e por isso todas as outras situações de machismo que passei durante minha vida e que não foram poucas, venci de forma magnifica. Não digo que não senti, perdi a conta de quantas vezes chorei e me descabelei num canto escondida, mas fiz sozinha e procurei mudar a situação a meu favor! Se está insegura e sofrendo é porque não está bom! Se não tem tranquilidade é porque algo está errado. Talvez o erro seja aceitar a insegurança e o próximo passo é achar que a culpa é sua e que precisa se tratar. Ora, em 2017? Por favor, procure ajuda, se ajude, um psicólogo, um detetive, um ato de coragem caindo fora ou aceitando um relacionamento abusivo, não importa: ATITUDE. Isso se espera da mulher de hoje! Não deixe que pessoas a tornem menos importante! Assuma as rédeas de sua vida! Coragem! O horizonte está aí... A porteira que existia na minha época foi aberta! Então passe por ela! Siga! Deixe que o vento leve você para o seu destino: A FELICIDADE.
Eu sempre disse para os meus filhos que se você não abrir seu coração e se libertar do passado ou presente que te faz mal, aquela pessoa especial que vai te respeitar e que está esperando para entrar na sua vida, nunca vai poder entrar! Mude isso!
Eu sou a prova viva de que isso é possível!
Mariângela Padilha
Enviado por Mariângela Padilha em 15/04/2017
Alterado em 15/04/2017
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Me Morte). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras